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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Incêndio em Equipamento de Caravanistas Brasileiros

Não temos maiores detalhes da tragédia mas dividimos a dor destes companheiros na esperança de que, de alguma forma, possamos ajudá-los a superar este horror!
                Luciene Bittencourt Kumm
“Expedições ›› Expedição Vivenciando as três Américas.

Partida: 12/08/2012

Nossa expedição ganhou o nome de Vivenciando as Américas, pois iremos passar pelo menos um mês em cada país. Lá buscaremos experiencias e imagens. Num resumo serão:

19 países,
+ de 1400 cidades,
22 estados brasileiros,
41 estados americanos e
7 estados canadenses

Nossa partida no dia 12 de agosto de 2012, na SC 401 - Sekai Loja da mitsubishi. Esperamos vocês lá.

Vazio e Impotênte

Data: 20/09/2012 12:00:00

Hoje o dia não amanheceu, não consegui dormir. A cena do fogo e de todos os nossos pertences vinha em cada segundo da noite. Eu sei que temos de agradecer pelas nossas vidas, mas perder tudo num piscar de olhos não é fácil. Ali estava a nossa história, estava um acervo fotográfico de 11 anos, os nossos equipamentos, as nossas roupas, a nossa casa, enfim tudo que gostávamos.

Não questiono e até acredito que vem coisa melhor. Mas o que posso registrar é que não precisava ser melhor, estávamos muito felizes com o que tínhamos. Não tínhamos necessidades de quer mais. Estava maravilhoso.

Isso era o Maximo, era tudo que tínhamos de meta para vida. O fogo queimou tudo em menos de 15 minutos e diante disso nos sentimos impotente, com as mãos amarradas. Nesse momento eram só eu e ele sozinhos, numa estrada sem movimento, no interior do interior, longe de tudo. Era um deserto seco e ventava muito, calor de 400 C.. Não tivemos medo, estávamos em estado de choque, melhor vazios.

Sangue corria em algumas partes do corpo e eu nem sentia. Descobrimos naquele momento o vazio e o impotente. Duas palavras que já foram referenciadas, mas que representam muito do momento. Agora me resta trabalhar. Buscar um emprego em algum lugar e seguir pensando na possibilidade de um dia poder voltar a sonhar com a ida no Alaska atravessando as três Américas.

Nesta tristeza conhecemos pessoas que amenizaram um pouco nossos sofrimentos, o Seu Zé Preto e Dona Graça. Ele foi um cara que apareceu do nada, lá onde tudo acontecia, nós deu a mão e nos levou para três municípios diferentes, em busca de uma delegacia que estivesse disposta a fazer o B.O. Em nenhum dos três tinha alguém querendo ajudar ou melhor disposto a fazer o B.O. Ele se prontificou a brigar pela gente fazendo mais de 100 km sem se quer nos pedir um tostão.

Depois veio a Dona Graça. Proprietária de uma farmácia. Que ao nos vê, sem muita explicação já foi resolvendo tudo para nós. Primeiro deu os remédios e material de higiene pessoal. Depois fez um proprietário de uma loja abri-la para pegar roupas. Em terceiro, buscou comida. Isso tudo sem ao menos saber o nosso nome. No outro dia pela manhã ela própria foi resolver a pendência do B.O. , rodou de taxi os 100 km que o Zé já havia feito e conseguimos sair com o B.O. manuscrito e ditado. Ela buscou carinho e conforto para nós.

Temos também de agradecer a preocupação de todos nossos amigos presentes, filhos e amigos faceanos pelas palavras e conforto. E, aos nossos amigos novos Elizeario e família pela preocupação. Agora estamos voltando pra casa sem o nosso sonho realizado. Só temos a dizer que foi triste ver 11 anos de planejamento destruídos em 15 minutos. Vazios e impotentes seguimos sem ao menos encontrar explicação.”


Esta é a foto que a Luciene colocou no Facebook.

Os comentários dela dão a dimensão da tragédia e indicam que estão bem transtornados.

Ela deixa claro que está em busca de emprego e amigos já lançaram esta campanha no ar, por exemplo a Débora Garcia

“Galera do sul do Brasil: preciso da ajuda de vcs!
Tenho um casal de amigos que está buscando emprego pela região. Eles podem morar em qualquer cidade e topam qualquer emprego. São viajantes e aventureiros como nós, viciados em fotografia, super viajados e inteligentes.
Estão precisando de um emprego urgente pois estavam em uma expedição como a nossa, rumo ao Alasca, quando seu carro pegou fogo

com TUDO dentro. Só sobrou a roupa do corpo. Eles tiveram que voltar para Floripa e agora precisam reconstruir tudo de novo.
Se souberem de alguma oportunidade, podem procurá-los diretamente:
Luciene Bittencourt Kumm e Walfredo Kumm.
COMPARTILHEM essa informação! Quem sabe algum amigo de vcs não possa ajudá-los! OBRIGADA!”


Abaixo o depoimento de quem conseguiu chegar lá depois de muitos percalços:

“Caros Walfredo e Luciene, companheiros de aventura.
Não nos conhecemos mas depois de receber a mensagem sobre o triste acontecimento, gostaríamos de enviar algumas palavras a vocês.
É claro que nesta hora é difícil dizer alguma coisa que possa trazer algum conforto, pois sabemos o que significa planejar uma viagem como esta, sonhar por algum tempo e depois do início, uma tragédia dessas acabar com tudo em poucos minutos. Estamos em Seattle agora e após 18 meses de viagem esta é a terceira vez que temos uma notícia como esta. Encontramos um casal de australianos no Panamá que pretendiam chegar até o Alaska mas que se envolveram num acidente no México e perderam tudo, sendo que no caso deles foi ainda pior, pois sua mulher ficou bastante machucada e tiveram que retornar a Austrália às pressas. O carro em que eles viajavam, uma Landrover nova e toda preparada, ficou completamente destruída, perda total. No Alaska, vimos um casal com motorhome grande e que levavam um carro atrás. Eles percorriam a estrada que vai de Tok à Dawson no Canadá,onde os acostamentos são traiçoeiros e desabam com peso. Numa distração a roda traseira do motorhome passou pelo acostamento e eles capotaram destruindo motorhome e o carro que vinha sendo puxado, colocando fim em outro grande sonho. Um prejuízo de 500 mil dólares. Só citei estes casos para mostrar que quando estamos na estrada tudo pode acontecer, coisas até piores que o que aconteceu com vocês. De qualquer forma o importante é que estão bem, nada grave aconteceu, apenas o enorme prejuízo financeiro. Tenho certeza que pela garra e disposição de vocês, não se darão por vencidos e em breve estarão na estrada novamente rumo ao Alaska. Passei 12 anos sonhando em realizar este sonho, em 2003 tudo deu errado na minha vida, muitos problemas e tive que desistir do projeto Travessia das Américas. Agora em 2011 conseguimos voltar com toda força no projeto e acabamos de passar pelo Alaska onde permancecemos 50 dias inesquecíveis. Estamos no caminho de volta e se tudo der certo em meados de maio estaremos no Brasil novamente. Esperamos que vocês não desistam deste sonho apesar deste incidente, a vida nos coloca provações pelas quais temos que passar, talvez este seja o grande desafio para vocês agora. Ficamos aqui de longe torcendo para que vocês reconstruam suas vidas e sonhos e num futuro próximo possam retornar a estrada rumo ao Alaska. Desejamos toda força do mundo para que isto aconteça.

Um grande abraço a vocês e não desistam jamais !

Eduardo e Letícia

segunda-feira, 14 de março de 2011

USHUAIA: LÁ VAMOS NÓS! Parte 7

 

PERRENGUES ... ou sufoco, aperto

O motorhome é que nem uma casa. O seu uso faz aparecer, de vez em quando, problemas. Nessa viagem, no início, parecia que os mesmos estavam além da conta. Até perto de Montevideo, onde visitamos Washington e Sonia, tudo às mil maravilhas. De lá pra frente ...

PERRENGUE 1: Tudo começou com o fato de as baterias não estarem carregando suficientemente. O primeiro sinal foi um pouco de mais tempo pra ligar o motor. Mais tarde, buzina não funcionou, depois gerador não ligou e, pra completar, a geladeira acusou falta de bateria. Das quatro baterias, duas eram novas e as outras duas, meia vida cada. Portanto, em principio, não poderiam estar com problema. Ao medir a tensão das mesmas, após andar vários km, a bateria diretamente ligada no alternador estava com boa carga e era uma das novas. Já as demais interligadas acusavam carga inferior a 12 v.

Fomos assim até Gualeguaychú, na Argentina. Primeiro, o diagnóstico de um vendedor de baterias (por sinal honesto): não é problema das baterias e nem do alternador e nem do conversor, pois ligamos o carro na luz e o conversor estava carregando bem. Fomos a outro, agora um eletricista de carro: o mesmo diagnóstico. Perguntado sobre onde poderíamos achar alguém que pudesse resolver o problema, indicou um eletricista, segundo expressão dele, um especialista. Chegando a oficina do mesmo, de imediato falou que não poderia ver isso no momento, pois estava terminando um alternador. Só pra segunda-feira e era sexta à tardinha. Mas o argentino era boa gente, adepto de motorhome, já tinha alugado um pra passear no dia seguinte bem cedo. Aproveitei a deixa e o convenci a dar uma olhada, pelo menos. Confirmou os dois primeiros diagnósticos. Portanto, havia carga, mas que não chegava o suficiente às baterias.

DSC02270

Aí entrou a experiência do Neca: vamos ver o terra. Aparentemente, parecia tudo firme. Decidimos soltar todos e fazer aquela limpeza. E acolhendo a sugestão do último eletricista, fizemos um rodizio nas baterias. Num primeiro momento, tudo funcionou. Dois dias bem. Mas, lá pelas tantas o problema reapareceu. Lá fomos nós limpar os terminais que não tínhamos limpado e fizemos novo rodízio das duas baterias do motor, que são ligadas em série. Eis que, ao apertar o terminal do cabo que vem do alternador, o Neca notou que o mesmo estava um pouco solto, portanto o contato não estava perfeito. Apertados os dois parafusos do terminal, e andados alguns km, primeiro resultado: a carga das 4 baterias estava igual e todas acima de 12 v. Maravilha. São os tais dos detalhes a serem observados. Terminais sempre bem apertados, do contrário ...

Resultado: tudo passou a funcionar bem.


PERRENGUE 2: A geladeira não desligou mais automaticamente, ficava sempre ligada apesar de atingido um bom grau de gelo. Quando desligada manualmente, no botão do termostato, não voltava mais a ligar. A geladeira é a bateria, feita na Elber, em Agronômica/SC. E funciona muito bem. Só que apareceu esse problema. Liguei pra Elber e prontamente me colocaram em contato com um técnico que fez várias perguntas, dentre elas saber se não havia estourado o fusível. Não foi o caso. Também não acendeu nenhuma luzinha do led que é instalada pra indicação de defeito. Diagnóstico do técnico: o problema está ou no circuito eletrônico (que é peça que eles instalam ao converter a geladeira pra 12 v) ou é o termostato, que é original da geladeira, no caso da Consul. Orientado de como proceder pra verificar se era o termostato (no caso fazer uma ponte direta entre os dois terminais do mesmo) a geladeira voltou a funcionar. Portanto não era o eletrônico, o que seria pior, pois essa peça só eles têm. Já o termostato é mais fácil de conseguir, pois é comum de geladeiras com as mesmas características. Como o termostato não funcionou mais e pra não ficar a geladeira ligada o tempo todo e congelar tudo nela instalei, provisoriamente, um interruptor entre os dois terminais do termostato, que foi preso com fita adesiva no interior da geladeira. Assim, manualmente se liga e desliga a geladeira conforme a necessidade, até voltar ao Brasil e conseguir o termostato original.

DSC02762        DSC02763

Nessas horas sempre penso: pra ter motorhome deve-se ter uma noção básica de eletricidade, água, esgoto, mecânica, etc. e muita criatividade pra superar os imprevistos.

Renato Wenzel